UM OLHAR PARA A CIDADE !!!
Detrás Da Notícia
A imprensa desde 1830 funciona como uma empresa. Sua visão é sempre o lucro. Portanto, para a mídia a notícia é um produto que tem que interessar os leitores. E, por mais mórbido que possa parecer, o que mais interessa um ser humano é a desgraça do seu igual.
O caso da chacina em Realengo é o exemplo mais recente que temos. Exatamente uma semana após a tragédia e com os mais variados tipos de coisas acontecendo no mundo – a possível inclusão da África do Sul no grupo dos Bric’s é um exemplo claro – ainda vemos em todas as manchetes os desdobramentos da história de todas as pessoas ligadas a Wellington Menezes e ao que ele fez.
E esse interesse excessivo gera muitas falhas de cobertura. Perguntas vazias de repórteres, ou o exagerado “Você sentirá saudade da sua filha?”. Suposições sobre uma possível devoção islâmica do assassino tendo como única prova a espessa barba – que ele já havia raspado. Enxurrada de psicólogos, psicoterapeutas, psicanalistas e outros médicos em todos os sites de notícias tentando traçar um perfil mental do criminoso tendo em base, na maioria das vezes, só a carta deixada por ele. Até mesmo a apresentadora Ana Maria Braga, em seu programa matinal, pediu que todos os esquizofrênicos fossem obrigados a se submeter a tratamento para evitar esse tipo de tragédia.
E esse exemplo é útil também para demonstrar a saturação da grade televisiva na cobertura do caso. Até programas que nada tem de noticiosos passaram a cobrir o caso. E mesmo sete dias depois a triste história do massacre não perde o fôlego.
A novidade de hoje foi a prisão do homem que se entregou a polícia carioca alegando que havia vendido a segunda arma usada por Wellington. Esses mesmos psicólogos afirmam que denuncias feitas tão tardiamente provavelmente são falsas, a pessoa tem uma carência que ela crê que irá suprir quando estiver nas capas de revista.
E deu-se tanta atenção a mente doentia e se esquece o fato. A notícia em si deu lugar aos seus desdobramentos e sumiu da mídia. O quadro médico familiar da família Menezes pareceu mais interessante do que uma boa cobertura da repercussão internacional da notícia.
A imprensa, na ânsia de vender a notícia só porque os concorrentes também estão vendendo, falhou na cobertura e cansa o espectador com seu sensacionalismo. Acaba, portanto, perdendo o público, já cansado de ver o sangue escorrer pelas páginas e telas.
Fonte: BSBruno
Um abraço e até breve
Scellmo Allbëresz

Nenhum comentário:
Postar um comentário