UM
OLHAR PARA O INTERIOR
“Ainda que andasse pelo vale
da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e
o teu cajado me consolam.”
Salmo 23-4.
Salmo 23-4.
O Rei
Davi cresceu no campo, e na sua juventude foi pastor, criador de ovelhas. Essa
convivência com os animais o fez conhecer bem todos os hábitos e necessidades
das ovelhas sob seus cuidados. A bíblia cita muito a ovelha por ser este animal
semelhante ao homem em muitos aspectos.
Jesus
chama seus seguidores de ovelhas, por serem estes, seres que precisam de alguém
que os guiem e deles cuidem, não só das suas necessidades materiais e
alimentares, mas também das suas inseguranças, temores e de qual rumo tomar
para encontrar os pastos (a paz) verdejantes.
Davi
foi pastor, rei e sacerdote. Como pastor ele cuidou muito bem de suas ovelhas.
Por esse zelo e cuidado foi que Deus o escolheu para cuidar, conduzir e
proteger o seu povo Israel. E como sacerdote Davi intercedia pelo seu povo.
Apresentava o seu rebanho a Deus apresentando todos e pedindo perdão ao Senhor
pelo povo e por ele mesmo, pois sentia um pouco de responsabilidade pela
conduta do povo por ser ele o seu condutor. E para isso ele precisava da
orientação do Senhor, supremo Pastor e o verdadeiro dono das ovelhas sob os SEUS
cuidados.
Nesta
oração, no salmo 23, o Rei se põe na posição de ovelha, pois com o zelo que ele tratava as ovelhas ele sentia
DEUS tratá-lo de mesmo modo. Suas declarações os confirmam. Senão vejamos:
O Senhor é o meu pastor, nada me
faltará.
Enquanto as ovelhas dormiam,
Davi o bom pastor, ficava acordado, não só vigiando seu rebanho, bem como
preparando a comida para os animais ao amanhecer (o pão nosso de cada dia, nos
daí hoje). Esta certeza Davi tinha no coração porque esse é o sentimento e o
que move o coração de Deus pelas suas ovelhas: o amor.
Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente as águas tranquilas.
Davi
sempre conduzia seu rebanho para onde tivesse pasto bom e abundante e seus
animais nesta condição sentia alegria e prazer em seguir seu pastor. Provava do
amor do seu Senhor. No trajeto para buscar o bom pasto, o pastor, não tinha
pressa e não se precipitava a dar qualquer água, tinha de ser água limpa,
fresca, abundantes e mansamente com cuidado conduzia seu rebanho a um local
onde havia as duas coisas necessárias e boas aos seus animais: verdes pastos –
comida abundante – e águas tranquilas (paz e saciedades das necessidades do
espírito, alma e corpo)
Refrigera-me a minha alma; guia-me
pelas veredas da justiça, por amor do seu nome.
A região
de pastoreio tinha mudanças bruscas de tempo e as intempéries eram cruéis e
muitas vezes com períodos de sol escaldante, assim como é na nossa vida, com
momentos de angústias e aflições a que todos estamos sujeitos. No período de
sol o ar ficava seco causando um mal estar, os pastos secavam, e era necessário
ir para o outro lado da cadeia de montanhas onde havia melhores pastos e águas
frescas. Ainda nesse período quente as ovelhas eram atacadas por um tipo de
moscas que para se reproduzirem precisam de lugares úmidos e quentes e por isso
as ovelhas eram atacadas nos ouvidos, nos olhos e nas narinas. Essas moscas
colocavam suas larvas e causavam doença e até a morte de muitas ovelhas. Isso
acontecia durante a caminhada para chegar aos bons pastos.
A ação
para o enfrentamento dessa situação era ungir todas essas áreas do corpo dos
animais com óleo, que além de repelente dessas moscas, serviam de hidratante e
de protetor solar. Havia vários caminhos para se chegar aos pastos melhores,
porem nem todos eram seguros. Além do perigo de ataques que animais predadores,
havia, precipícios e saqueadores. Por isso Davi escolhia um caminho mais longo,
que também oferecia riscos, porém bem menores, onde encontrava outros pastores
conduzindo seu rebanho aos lugares mais seguros. E isso Davi fazia por amor do
seu nome. Ele era conhecido pelo amor e cuidado com que cuidava do seu rebanho,
enfrentando os animais predadores, e passando noites acordado vigiando e
guardando seus frágeis animais. Ele zelava pelo seu nome, e era conhecido como
bom pastor.
Na
travessia para o melhor lugar de pasto havia sempre o perigo de ataque e de
acidentes e o caminho era um verdadeiro vale. Davi ficava atento aos
predadores, e sempre que um animal caia em algum precipício, ele usava o gancho
do cajado içando o animal pelo tronco peitoral e os trazia de volta ao caminho
com segurança, consola-os e ao mesmo tempo os exortava com amor.
Em alguns momentos quando algumas ovelhas se
aproximavam do perigo, Davi usava a vara dando um toque de leve para elas se
afastarem do perigo, pois ovelhas são animais muito sensíveis, se tocá-las com
força elas ficam arredias e com medo de quem as machucou. Mesmo sendo esse o
vale da sombra da morte, a ovelha não teme mal algum e o motivo é a certeza de que
o pastor está com ela, ali ao redor, atento a tudo: as necessidades, anseios,
medos e fragilidades do seu rebanho.
Quando
finalmente Davi, o bom pastor, chega com seu rebanho ao lugar onde tem água e
pastos abundantes, suas ovelhas têm um verdadeiro banquete. Enquanto isso os predadores,
animais comedores de ovelhas, famintos, ficam só a contemplar as ovelhas
comendo, tranquilas, guardadas pelo seu pastor, com a cabeça ungida com óleo,
ou seja, tranquilas, em paz, desfrutando do amor perfeito do seu pastor e
senhor.
Diante de todo esse cuidado há uma expressão
de confiança: certamente, pois apesar de todo o trabalho e dificuldade que as
ovelhas provocam a bondade, o amor em ação constante, e a misericórdia, os
perdões com correção em vez do castigo me seguirão. O Senhor estará sem ao pé
das suas ovelhas, todos os dias, e habitarei, serei aceito e permanecerei junto
com Senhor todos os dias.
Por
tudo isso o versículo primeiro, não é só uma confissão é uma constatação.
O SENHOR E O MEU PASTOR, NADA ME FALTARÁ.
Davi
foi pastor, mas nesta oração ele se colocou no lugar de ovelha e essa é a
condição de um coração segundo o coração de Deus.
Scellmo Allberëresz
Rua José Martins dos
Anjos, 63-Centro-Salinas-MG
Lindo texto, didático e inspirador! Parabéns!!!
ResponderExcluir